Não há uniformidade de critério possível perante a surpreendente e paradoxal diversidade da vida. (Diário XII)
Falar de Miguel Torga implica necessariamente fazer alusão a duas ideias que são de todo transversais ao seu pensamento: o amor à vida e a força da terra! Escrever sobre o serão evocativo de Miguel Torga é meu imperativo de consciência.
Este serão, na linha de outros, assume-se definitivamente como um espaço de fruição da palavra. Da magia das frases. De rasgar de horizontes. E com um público fiel. Não de elites pedantes, às quais Miguel Torga era tão avesso, mas de professores, alunos, funcionários, pais, entre outros, que participam, reflectem e perspectivam. Com dúvidas e limitações! Tal como aquelas gentes finitas e condicionadas que Miguel Torga nunca se cansou de evocar.
Num meio social que vive uma espécie de anestesia cultural, esta iniciativa é uma lufada de ar fresco.
Obrigado!
Ao Conselho Executivo pela responsabilidade da iniciativa. À equipa da BECRE pela organização. E o bom gosto colocado no detalhe. Evidenciado na ocupação do espaço, na distribuição da luz e na decoração das mesas. Mas também no desenrolar natural e harmonioso dos protagonistas. Aos músicos, aos alunos premiados e ao Miguel Torga, de traço austero e carácter humanista.
O serão teve, ainda, o condão de ser abrilhantado com a presença simpática e jovial da Professora, carinhosamente, Milola. É uma figura única do nosso meio académico. O seu timbre de voz confere particularidade ao vulgar. A sua vivacidade recria a ausência. A sua inteligência acrescentou uma página, bem ilustrada, de pedagogia informal. Mas de aprendizagem efectiva.
Miguel Torga teria gostado. Pela certa!
Carlos Almeida

Sem comentários:
Enviar um comentário